Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

falta de ousadia

Os homens não são todos iguais. (Nem as mulheres, for that matter.) Mas lá haverá uns traços comuns no cromossoma Y (o da perninha a menos), aos quais poucos escapam, por motivos que agora não interessam nada. Porque o que interessa agora é o que me chateia, que é aquela tónica comum ao Machus ignorantus, que hoje podemos chamar de falta de ousadia. Vejamos: (quem se identificar ou a alguém que conheça ponha o dedo no ar! Ou, vá, no teclado. É aproveitar que hoje o consultório sentimental é grátis.)

- ele há o gajo que tem medo da mudança, seja ela qual for: casar, juntar trapinhos, comprar casa, procriar, divorciar-se, assumir os filhos que tem com a amante perante a família… Tudo o que implique definir as situações “preto no branco” dá-lhe arrepios, pelo que quando chega a hora H baza da praia sem mais nem ontem, finge que não é nada com ele e vai ali comprar tabaco… Ou seja, no tiene cojones para o que faz falta.

- ele há o engatatão que é podre de bom e as gajas, não resistindo ao seu sorrisinho de galã, sentem os joelhos a tremer e desfalecem nos seus braços. Este tipo não concebe a ideia de estar sozinho e um dia sai-lhe a sorte grande: o engatatão encontra uma semelhante do género oposto que lhe leva a melhor. E leva a melhor porque o facto é que as mulheres são matreiras, frias e calculistas (criaturas horrendas, na verdade e, não sendo todas farinha do mesmo saco, as excepções confirmam a regra). Quando dá por si, já o Don Juan está a trabalhar para sustentar uma qualquer badalhoca e os seus filhos (de outros pais, naturalmente, mas se ele tiver guito suficiente, a gaja embucha dele também, que há que garantir a herança).

- ele há também o outro engatatão, mais low profile, que é sensível, intelectual e modesto, mas depois do primeiro desgosto/par de cornos/grande tampa, chora baba e ranho, diz que nunca mais se vai dar a ninguém porque, coitadinho, sofreu tanto nas mãos daquela megera, e começa a utilizar esse argumento simultaneamente, como chamariz de novas vítimas (que as mulheres adoram um bom dramalhão e homens profundos e problemáticos) e como pretexto para o rol de flirts ir aumentando sem nunca se prender a ninguém. O que é isto, para além dum oportunismo frio? Falta de ousadia: “aiai que pode cair”, “aiai que pode doer”… Quem não arrisca não petisca, pá!

- depois temos os príncipes encantados, loiros e de olhos azuis (para quem aprecie o género, que não é o meu caso), super-queridos, românticos, estáveis, dos que oferecem flores e cozinham jantares à luz das velas, galanteiam, tocam piano (e saxofone e guitarra, já agora), galateiam mais, insinuam, mais um arrastar de asa achocolatado, galanteiam mais um pouco, e demoram taaanto tempo a manifestar claramente os seus sentimentos que uma gaja aborrece-se de esperar, começa a ter dúvidas se afinal o tipo está interessado ou armado em parvo, e entretanto “já foi”. Caramelos sem noção do timing: ou ‘coiso’ ou sai de cima, não?!

- Ele há o ‘melhor amigo’, criatura sempre dedicada, em quem se confia a vida e tudo o mais, o que ama platonicamente (muitas vezes em segredo) e sofre porque ela gosta de outro; ela confia no amigo para todos os desabafos, usa e abusa do ombro dele. Este protótipo de macho consegue esperar anos a fio, não arreda pé, está lá em cada momento mau, em cada lágrima, afaga-lhe o ego, dá apoio e cola os pedaços de coração partido com fita-cola, se for preciso. Mas não tem tomates para agarrar a gaja pela cintura e lhe dizer que está desesperadamente apaixonado, que assim não consegue viver e que ou ela lhe dá uma oportunidade ou ele vai fazer uma desintoxicação amorosa para outro canto do hemisfério e nunca mais a quer ver. Há que fazê-la optar, porque se a deixarem ela vai querer o melhor dos dois mundos e toda a gente sabe que não se pode ter tudo (pelo menos para sempre): o foleirão* que a trata mal mas lhe dá calores e o amigo que suprime as carências emocionais do anterior.

- last, but not least, temos os anormais traumatizados com o passado, que se acham o máximo, profundos e intrincados, mas são no fundo obsessivos e psicóticos. Noutras palavras, uns colas. Alguém faz o favor de lhes explicar que não é por baterem muitas vezes na mesma tecla que ela vai soar de forma diferente? “Desgruda, meu!” Não resultou no inverno da mesma forma que não vai resultar no verão. Ela escorraça-o da melhor maneira que sabe (insultos, pontapés, indiferença…) porque até quer que ele seja feliz. O tanso perde o tempo dele a sufocar a moça e a humilhar-se, em vez de viver a vida e reparar que a rapariga do lado, por acaso, até seria perfeita para ele. A isto chamo eu falta de sensatez para lidar com as perdas e aprender com os erros. Talvez porque seja confortável e tão mais fácil andar para trás e para a frente no único caminho que se conhece em vez de se fazer à Vida e ousar desbravar terreno inóspito, arriscar novas rotas.

 

Adenda a pedido de leitor que facilmente poderia encaixar-se em duas ou três das categorias acima descritas, em simultâneo:

- o parvalhão é único e irrepetível; é o tipo que tem personalidades múltiplas (consoante o continente em que se encontra), é preconceituoso, descarado, atrevido, capaz da maior sucessão de atitudes infelizes de que há memória, insensível, acha que é enigmático (mas no fundo é um livro aberto) e especial e acredita que o gelo não derrete; tem sotaque saloio, bate na mulher... Um docinho (de figo), portanto.

 

 

A parca idade e experiência nestas coisas das relações inter-sexo podem ter causado lacunas gravíssimas ou erros profundos nesta análise feita em cima do joelho (literalmente). Apesar de eu ter sempre razão, advirto que será pouco saudável alguma vez tomar alguma das minhas palavras como verdade absoluta. É, contudo, a minha verdade e quem discordar é livre de se manifestar (desde que não atirando ovos podres… que esses podem fazer falta para atirar aos ministros).

 

 

 

 

 

*este foleirão pode ser qualquer um elemento das restantes ‘categorias’

 

 

sinto-me: pissed off at huMEN kind
publicado por Ventania às 20:39
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5 comentários:
De Ventania a 11 de Novembro de 2008 às 21:57
Ovos podres?
Tu estás certíssima, principalmente nos últimos muchachos, os colas, os máximos (esses são do piorio mesmo)
Também há os porreiraços, mas são tão poucos que nem vale a pena enumerar...

Abraço da tua Blogómina

P.S. By the way, gosto do teu blog
De Ventania a 12 de Novembro de 2008 às 08:43
Cara blogónima, grata pela visita e elogio. =) Os porreiraços são os tais, excepcionais, de que andamos à procura. Se conheceres algum manda-o para cá! ;)
De oteudoceolhar a 12 de Novembro de 2008 às 16:06
Bem bem...mas que inspiração a tua. Hoje é que foi...ó raça os homens...opá desgosto em n conseguir mudar pelo menos um deles...a porrinha é que n sou homem e secalhar a solução é mesmo por começar a mudar moi mémme (hj n tou pró francês). Gostei imenso, como sabes a tua escrita é realmente diferente da minha...e tá dito e tá dito...e pensar que escondeste esta reliquia durante este tempo todo:P obrigada kikas por passares lá no meu cantinho.... I LOVE YOUUUUUUUU abracinho do TOM.
De Ventania a 12 de Novembro de 2008 às 16:22
Não precisamos de mudar ninguém (até porque as pessoas não mudam); O busílis da coisa é encontrar a pessoa certa, aquela que não precisa de mudar para nos fazer feliz, em todos os aspectos. Ah, e dá jeito que exista reciprocidade (mas isso são outros 500).
De Anónimo a 23 de Novembro de 2008 às 20:46
gostei muito desta pequena definição de alguns " machos " se é que essa será a definição ideal ; )
tambem existem aqueles designados por Carlinhos A. aqueles que por azar têm a "sorte " de ter como companheira uma raposinha .................. Existem de facto muitos paspalhões mas ainda mais parvas são as mulheres que admitem tanta merda ( ups desculpem o mau palavreado) hoje em dia não existem princepes nem princesas existem seres humanos com fraquesas e com qualidades ( ah quem diga que errar é humano) mas se pensarmos bem o homem faz a mulher e a mulher faz o homem."Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto."
( Albert Einstein )

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