Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

dores agudas

 

Dói recordar.

Doem as pernas entrelaçadas, os cabelos afagados, os pés ousados.

Doem os beijos que ninguém viu, os sorrisos tão verdadeiros.

Dói o nariz no pescoço, a língua nas orelhas, cada curva arrepiada.

Dói a lágrima derretida que não soube esconder-se.

Doem os dedos entretidos, os pêlos espantados.

Doem as carícias lambidas, os lábios longos e mornos.

Chega a doer o cheiro das flores, o vapor do duche, o abraço nú.

Dói aquela sede, o suor e o prazer.

Dói a palavra que escapou a medo, o brinde enganado, a gargalhada abafada.

Dói andar à deriva, mas também atracar. Dói regressar.

publicado por Ventania às 21:27
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2 comentários:
De Nós a 22 de Novembro de 2008 às 15:40
E quando a dor se torna aguda ao ponto de não ser suportada, desmaiamos. Desmaiamos para uma maravilhosa dormência feita de sorrisos, sonhos e cores... Por muito que procuremos, há sempre uma droga no fim.

Apesar de tudo, sorrio... E amo :)
Beijinho*
De Ventania a 22 de Novembro de 2008 às 17:18
Recuso-me a ceder, a entregar-me às doces dormências; rejeito os analgésicos e vivo com alguma dor, que cria calo na alma. Mas cada beijo sabe mais a beijo quando é beijado e cada abraço mais forte quando é abraçado.

Sorriso rasgado para ti =)

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