Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Amanhã

Estou longe de ser uma pessoa estável. Sou até bastante temperamental, de fases, consoante a lua, a hora, o interlocutor, o tempo ou as cores… Sou errática e desequilibrada, de extremos e peremptória nas escolhas que faço. Detesto rotinas e a ausência de estímulos novos: conversas, locais, desafios, ideias. Talvez por isso não esteja nunca demasiado cansada para embarcar em programas que me digam algo às sinapses. O que me cansa é exactamente ter limites pré-definidos, saber antecipadamente como vai ser um dia de trabalho, uma refeição, tudo com horários e regras. Detesto conhecer de cor as pedras da calçada e os buracos no alcatrão, a acomodação de usar sempre o mesmo caminho só porque é o mais rápido… Do que eu gosto mesmo é do inesperado, de surpresas, de aventuras de e em todos os sentidos. Gosto de passear a pé, em cidades desconhecidas, no meio da serra ou na planície. Gosto de encontrar velhos amigos em locais inesperados. Gosto das rajadas de vento que deixam a verdade a descoberto. Gosto de arriscar mudar só porque sim. No caos em que a minha vida se encontra neste momento, achando-me até ineditamente desanimada, encontro alento no amanhã por descobrir. Tenho a absoluta certeza que a próxima semana será diferente desta, e conforta-me não ter a mínima pista de onde estarei ou a fazer o quê.

Quando era miúda não conseguia imaginar-me com mais de 18 anos. Até aí a vida seguiria certamente de acordo com o planeado, em torno da escola e pouco mais. A partir dos 18 não conseguia sequer visualizar uma sombra de futuro. O que até é estranho, porque sabia exactamente que curso queria tirar e onde (e foi isso mesmo que fiz), mas esse é outro capítulo, o da obstinação desmedida (que quando meto uma ideia na cabeça não desisto até a ver concretizada; mas é que não desisto MESMO!). Nunca tive planos muito concretos a longo prazo, nunca imaginei como seria a minha vida aos 20 ou aos 30. Sabia, grosso modo, o mesmo que sei hoje: que o que me dá prazer é aprender e viajar pelo mundo, que amar é imprescindível e que a felicidade não reside nos bens materiais. Tenho confiança em mim, e isso basta-me, por ora, para não ceder à resignação.

Como diz um bom amigo, “vamos a eles”!

sinto-me: à procura duma bóia...
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publicado por Ventania às 15:29
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5 comentários:
De Portal Lisboa a 28 de Novembro de 2008 às 21:55
O Portal Lisboa e a Chiado Editora já começaram a fase de selecção de poemas enviados por vários autores, com vista a constarem na Antologia de Poetas Contemporâneos "Entre o Sono e o Sonho". No entanto, os interessado ainda estão a tempo de enviarem os poemas. Para se inscreverem carreguem aqui: www.portallisboa.net
De Ventania a 4 de Dezembro de 2008 às 22:48
E quem não sonha, que se entregue...
De Artemisa a 6 de Dezembro de 2008 às 14:13
As rotinas, os mesmos lugares e as mesmas pessoas, às vezes (mas só às vezes...) até são bons... Fazem-nos sentir seguros quando o resto do mundo começa a querer desabar. São os "lugares que são pequenos abrigos para onde podemos sempre fugir..."
De R U a 10 de Dezembro de 2008 às 23:52
Estive a ler umas coisas por aqui e, levo esta frase "Tenho confiança em mim, e isso basta-me, por ora, para não ceder à resignação"... posso?

É que dá muito jeito tê-la por perto...!
bjs RU

PS: gostei de que li (e vi) :)
De Ventania a 11 de Dezembro de 2008 às 21:41
Dá-lhe o melhor uso que consigas =) Bjs!

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