Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Sei que não devia, mas...

Procuro o sentimento que quero destilar, para o entender, acatá-lo com respeito ou lutar contra ele, conforme as curvas da razão me ditem ou permita a voz do outro, do malfadado coração. Abro gavetas, entorno frascos escondidos nas poeirentas prateleiras da memória. Encontro instantes há muito calados, novelos de teias enredadas em mim, mas não te acho a ti. Não sei dar-te nome, idiota sentimento que persiste, como uma sombra… Sempre presente, sem grande definição, sem contornos. Ainda que sob o Sol do meio-dia, sei-te aí à espreita, dona de mim. Não te odeio nem desejo libertar-me. Gosto de ti. E sabes que o grande busílis é esse. Apesar de não quereres, de ninguém querer (alegra-te saber que ninguém quer?), só eu, gosto de ti. E mais não consigo dizer. Não é inédita a Paixão, essa tonta que me agarra pela cintura e me leva pela mão até ao fim do mundo. Essa também por cá anda, paixão por ti, paixão por ele também (é verdade, dei por mim a palpitar de emoções por ele, disse-te?). Mas não anda só, a Paixão. Vem carregada e espessa, essa assombrosa sombra, de sentimento sem nome e que obriguei a calar, que talvez seja apenas uma estrondosa certeza de saber que és ideal para mim, como eu para ti, e que juntos fomos um só. Fomos, naquela outra existência que desapareceria, não fossem as evidências fotográficas a que nos escusamos. Não tenho como negar; quero-te bem. E mais do que a ti, quero-me bem a mim. E bem, fico eu quando te tenho enlaçado em mim. Eu, sou Eu quando me beijas e ris e cantas e o nosso olhar se encanta de estrelas e de Lua. Como já disse: Gosto de Ti.

sinto-me: I have nothing else to lose
publicado por Ventania às 15:15
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11 comentários:
De Isa_ a 14 de Janeiro de 2009 às 18:40
evidencias fotograficas?? n serao semelhanças?.. lol
De Ventania a 14 de Janeiro de 2009 às 19:40
não, não são semelhanças. são evidências.
De Anónimo a 14 de Janeiro de 2009 às 23:23
Eliminar as evidencias fotograficas pode sempre ajudar a passar essa dor....
De Ventania a 15 de Janeiro de 2009 às 08:30
Porque é que em vez de anónimo não assinas "parvalhão do costume"? Queres isqueiro e gasolina para eliminar as tuas fotos ou sabes fazer delete sozinho? Se precisares de ajuda diz! E já agora, vê lá se apagas as outras fotos também, as mais antigas! =P
De miúda a 14 de Janeiro de 2009 às 20:28
entendo-te a cada palavra. apenas se consegue ser "eu" quando a outra metade do "eu" se entrega e completa o pedaço que falta. a memoria e o pensamento são traiçoeiros, criam a ilusão, moldam desejos, elevam sentimentos, ignoram pormenores. detalhes do passado vivos e cintilantes numa conciencia que nos diz o que queremos ouvir.***
De Ventania a 14 de Janeiro de 2009 às 21:52
Muito traiçoeira a memória, diz-te o que quer e enche os espaços em branco com ficção... é se calhar por isso que dói tanto cortar relações com o passado. Bjs*
De pingodemel a 15 de Janeiro de 2009 às 11:02
olá

...as memórias são parte de nós... relatam o passado e é o passado que faz de nós aquilo que hoje somos... ás vezes as memórias magoam ... ou mostram como um dia fomos felizes e depois tudo acabou ou vice versa ... as memórias fazem parte de nós...por isso não são para apagar ... são historia da nossa vida temos é que começar a olhar para as memorias que nos deixam tristes com distancia e a cada dia que passa com uma distancia maior :)

abraço
De Ventania a 19 de Janeiro de 2009 às 21:05
Tens toda a razão. E todos os dias são dias de construir novas e melhores memórias, dias de crescer. =) Um abraço!
De Ventania a 17 de Janeiro de 2009 às 00:09
Fizeste-me recordar uma dura realidade em que a ilusão era o chão mais seguro que eu procurava alcançar, era como se fosse uma viciada em droga e me perdesse pelos caminhos do pensamento que eu julgava ser o "ar" mais rico em oxigénio... Quando acordei para a realidade estava quase sufocada... não conseguía pensar, não conseguía agir, desconhecia quem eu era e em que é que me tinha tornado. foi como viver no meio de um tornado...
Pensei muitas vezes, e até à bem pouco tempo, que era impossível dar a volta por cima, despegar-me de memórias (das más e das boas, pq tb há boas), tenho descoberto que não há necessidade de "esquecer". A única necessidade que há é libertar o passado, deixá-lo ir para onde ele pertence, lembrar todos os dias que a primeira pessoa a quem tenho de agradar é a mim própria, porque o Eu é a pessoa mais importante para mantermos a nossa estabilidade emocional.
Há um tempo na minha história em que eu digo: eu não fui eu... mas agora sou.
Espero que estejas bem.
Beijinho
De Ventania a 17 de Janeiro de 2009 às 00:12
Fizeste-me recordar uma dura realidade em que a ilusão era o chão mais seguro que eu procurava alcançar, era como se fosse uma viciada em droga e me perdesse pelos caminhos do pensamento que eu julgava ser o "ar" mais rico em oxigénio... Quando acordei para a realidade estava quase sufocada... não conseguía pensar, não conseguía agir, desconhecia quem eu era e em que é que me tinha tornado. foi como viver no meio de um tornado...
Pensei muitas vezes, e até à bem pouco tempo, que era impossível dar a volta por cima, despegar-me de memórias (das más e das boas, pq tb há boas), tenho descoberto que não há necessidade de "esquecer". A única necessidade que há é libertar o passado, deixá-lo ir para onde ele pertence, lembrar todos os dias que a primeira pessoa a quem tenho de agradar é a mim própria, porque o Eu é a pessoa mais importante para mantermos a nossa estabilidade emocional.
Há um tempo na minha história em que eu digo: eu não fui eu... mas agora sou.
Espero que estejas bem.
Beijinho
De Ventania a 19 de Janeiro de 2009 às 20:59
Estou bem, estou a aprender a ser Eu sem me conformar com a Vida. Já passei por esses 'capítulos' de que falas, noutro filme, noutra vida. E consegui dar a volta, guardar e acarinhar as memórias boas, sem rancor, foi sereno, estou de bem com esse passado. O presente é que está a custar a digerir. Mas hei-de lá chegar. =) Obrigada pelo apoio, cara blogónima. Um beijinho grande para ti.

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