Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Teu

Já foi solitário, quase sempre até. Já chorou sangue e fogo, gritou e cerrou os punhos. Já se viu perdido, sem saber que rumo tomar, no escuro, no mais absoluto desalento. Já foi profundamente feliz, pleno de sol e de vida, já se sentiu amado e julgou existir com o único propósito de servir ao amor de outro alguém. Já se exaltou de contentamento, já se arrepiou de prazeres mil. Nunca se viu empedernido ou incapaz de amar. Já se enganou como um final que acabou de começar. Já se iluminou perante breves frestas de promessas de calor. Já gelou quando chamaram por ele e ele não foi. Já se transcreveu em poemas, no seu êxtase e na tortura. Mas nunca antes tinha sido tão seguramente senhor de si, do seu passado e dum destino que pode até ser incontornável. Nunca antes se expôs tão irreversivelmente: cada fragilidade, cada imodesta presunção. Nunca antes se deu como está hoje disposto a dar-se: integralmente, a nível infra-molecular e supra-espiritual. É teu, se o quiseres.

sinto-me: humpf
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publicado por Ventania às 23:46
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3 comentários:
De outraidade a 10 de Setembro de 2008 às 13:29
Cá vão uns bitaites. Ousei porque li algumas coisas que me trouxeram ventos familiares, uma forma inconformada de sentir a vida, muito saudável, muito arejado.
De Ventania a 10 de Setembro de 2008 às 18:53
Todos os bitaites são sempre muito benvindos, especialmente os vindos de gente arejada =) Volta sempre!
De Nós a 11 de Novembro de 2008 às 09:26
...infra-molecular e supra-espiritual.
(Todo o texto,) Fantástico!

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