Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Soneto de Fidelidade - Vinicius de Moraes

 


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

 

 

Hoje, poderia ser tua para sempre.

sinto-me: on hold
publicado por Ventania às 20:20
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Procuro

 

Quem dance comigo no meio da rua.

Quem me beije à chuva.

Quem adivinhe quando preciso dum abraço.

Quem não precise de perguntar porquê.

Quem tenha orgulho em andar de mão dada comigo.

Quem me faça rir.

Quem escute realmente o que digo.

Quem não hesite em voar comigo sem destino.

Quem me faça sentir única e especial.

Quem não me sufoque senão com ternura.

Quem não me traga de volta à realidade quando sonho.

Quem me deseje.

Quem me diga sempre e só e toda a verdade.

Quem me aqueça quando tenho frio.

Quem me faça acreditar.



ou talvez não procure, porque encontrei quando menos procurava.

sinto-me: off
publicado por Ventania às 09:50
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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Oxalá que chova


Oxalá que chova

 

Para matar a sede 

 

Oxalá que chova 

 

Para acalmar os suores 

 

Oxalá que chova 

 

Para calar o grito 

 

Que teima em marcar o ritmo 

 

Dos pensamentos que se estrangulam 

 

Por sair da ponta deste lápis

 

Oxalá que amanhã

 

O dia me leve a outro lugar

publicado por Ventania às 04:18
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008

Fundo do Baú II

 Foste

eco das vontades amargas

porta de luz sem calma

palavra amiga, ansiosa, ansiada

rede que pesca às escuras

tiro certeiro que ecoa no peito

coragem de ousar dizer talvez

euforia na ausência, que queima

poesia de dois gumes como facas errantes

presença mágica de obra diurna

faísca melosa a querer beijar

sonho de hoje, de antes e sempre


És

promessa de vida, de luz, de ti

conto de fadas enrolado no tempo

momento que foge e que marca a saudade

memórias fechadas na palma da mão

sorrisos imaginados, embrulhados nos meus

poção de ternura que não embriaga

areia na concha da mão que te dei

vento presente que embala a distância


Serás

suspiro pelos beijos que nunca morrem

alvorada recorrente no fundo da alma


SEMPRE, Amor

sinto-me: like cleaning up that chest!
publicado por Ventania às 22:14
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Fundo do Baú I

Ficar um dia inteiro sem te ver

Ouvir nos recantos das memórias

O açúcar dos céus ocos sem reflexo de ti

publicado por Ventania às 19:49
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Sábado, 13 de Dezembro de 2008

Drama Queen (Bollywood style)

Eu às vezes consigo ser muito dramática. Hoje, ao ler à distância de alguns dias um e-mail para um Amigo (daqueles em frente a quem se podem desenrolar quilómetros de entranhas sem pudor), tive de rir à gargalhada.  Para não chorar ou porque as múltiplas e sucessivas tragicomédias da minha vida me ensinaram a tudo relativizar. Fica o excerto:


"(...) o coração como se tivesse sido atropelado por 7 camiões indianos, comido e cagado por uma vaca e novamente atropelado (depois da bosta já estar seca), tendo ficado espalmado, altura em que foi mastigado por outra vaca e regurgitado para o Ganges. Something like that."

sinto-me: a drama queen
publicado por Ventania às 00:09
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Palavreado

Tira-me do sério que as situações sentimentos momentos pensamentos medos receios alegrias simpatias ideias e ideais não sejam transcritos traduzidos repetidos exaustivamente por todas as palavras sinónimos significados possíveis inteligíveis descritíveis.

Dá-me nervoso miudinho tamanho burburinho de cochichos entredentes entrelinhas subentendidas diagnósticos mal percebidos julgamentos extemporâneos gaguejos hesitantes constantes declarações exclamações e mil questões intimidantes.

Resumir reduzir simplificar minimizar é no fundo dar lugar a cada qual interpretar como melhor lhe aprouver. Discordo repreendo rejeito este trejeito que as sentenças do meu modo são insistir e repetir e sublinhar e reforçar a negrito e maiúsculas garrafais cada sílaba marcada desenhada repisada não vá a mensagem sair ao lado deturpada enviesada equivocada mal parada enfeitiçada em orelha desassossegada distraída entupida desatenta iludida que só ouve o que quer.

 

As meias-palavras irritam-me. Mais do que palavra nenhuma. Caro Universo, faz o favor de elaborar, de usar quantas palavras conheças para te traduzires.

 

sinto-me: a deitar palavras pelos olhos
publicado por Ventania às 21:42
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2005

Desvios

Passou um beijo, passou uma hora. A seguir outra e muitas mais, e o beijo esquecido não retorna. Errou o destino, esqueceu-se de travar, galopou por cima de todas as boas intenções e aterrou com ambas as patas em nenhures. Do beijo que nasceu suave soltaram-se faíscas de cascos nas rochas tristes, nasceu um eco mudo que atravessou o (meu) universo e espezinhou a autoconfiança. Sangue? Algum, espesso, derretendo-se longamente sobre as fendas e os poros, coagulando, envergonhado de existir.


O vento anda, corre e voa!

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publicado por Ventania às 23:29
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