Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Breve história dum abraço à beira-chuva

Desejo-te perto e vens buscar-me, levas-me de urgência escadas abaixo para contemplar o rio à beira-chuva. Descalços, ambos, por relvas e troncos e pardais. Sensualidade molhada de seios e umbigo, arrepios, do frio e da proximidade da tua pele. Não sorris, sequer vocalizas o que quer que seja. Os teus dois olhos escurecidos, carregados de verdade. Pegas-me nos pulsos e olhas-me de frente como se me fosses anunciar um fim de mundo. Sério, grave. Os lábios entreabrem-se como que a desenhar palavras no ar, como que a tomar coragem. Toda eu um ponto de interrogação, exclamação, reticências… O cabelo molhado, sem ordem, a enganar. Um fingido cansaço desarma e a respiração acelera. Pingos grossos acariciam a cara, lambem os ombros, deslizam matreiros pelas costas. A névoa que sempre separa os meus olhos dos teus dissipa-se num bafo. Procuro ler-te, ansiosa por pular para dentro dum sonho. Murmuras: “E se disser que gosto de ti?” Conheço bem esta espiral, que sempre impões diante de mim, sem portas nem refúgios, apenas o infinito, aberto, à espera de ser colhido. “Quando o pensamento de mim te siga a todas as horas, quando souberes que a vontade é maior do que só a de ter o casulo do ego acarinhado; Quando reconheceres muito mais que uma doce empatia. Quando sob pálpebras cerradas o coração chamar o meu nome. Só nesse dia voltarás a ter-me tua.”

Solto uma mão e com um polegar afago a tua face desmascarada. Apertas-me contra o peito, não te importas de confessar uma lágrima, espessa, outra. Carinho, dor, amor, identidade. Estes que somos.

Por te amar, mudei. E decidi tornar a amar só quando esse dia chegar. Naquele abraço permanecemos, sem tempo, enquanto a chuva molhar.

publicado por Ventania às 05:50
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Sábado, 18 de Abril de 2009

dias

Há dias em que as lágrimas se soltam com a delicadeza duma chuvada diluviana em meados de Julho. E é só isto.

sinto-me: por aí
publicado por Ventania às 11:27
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

Como chamas àquele dia:


- em que olhas para o espelho e não reconheces quem vês?

- em que recordas quando pensavas ter tudo e percebes que tudo na vida é efémero?

- em que chegas à conclusão que aquele dia em que te faltou o chão era inevitável e foi um dos mais libertadores de sempre?

- em que recordar aquele primeiro beijo no comboio te leva às lágrimas?

- em que davas quase tudo para voltar 3 meses para trás no tempo?

- em que sentes que a tua saúde mental já teve melhores, mas também piores, dias?

- que devia ter sido o mais feliz da tua vida e sentiste apenas solidão?

- em que tiveste incontroláveis ataques de riso?

- em que percebes que a tua dor é idêntica à dor que criticas?

- em que sabes que a vida não é aqui mas daqui não arredas pé?

- em que as boas notícias foram más e as más notícias foram boas?

- em que olhaste nos olhos dum amigo e a dor da saudade se antecipou?

- em que te apeteceu acender o rastilho antes de sacudir a pólvora das mãos?

- em que o frio que sentes vem de dentro para fora?

 

Eu chamo-lhe ‘qualquer dia desta semana’. Ou TPM deslocada.

sinto-me: blue
publicado por Ventania às 21:42
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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Oxalá que chova


Oxalá que chova

 

Para matar a sede 

 

Oxalá que chova 

 

Para acalmar os suores 

 

Oxalá que chova 

 

Para calar o grito 

 

Que teima em marcar o ritmo 

 

Dos pensamentos que se estrangulam 

 

Por sair da ponta deste lápis

 

Oxalá que amanhã

 

O dia me leve a outro lugar

publicado por Ventania às 04:18
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

...

Hoje preciso dum beijo à chuva... Para lavar a alma.

 

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publicado por Ventania às 07:00
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