Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Que trabalho - Eugénio de Andrade

Que trabalho exasperado, o da língua,
essa em que dizes com mão insegura
desvios, desacertos, desalinhos.
 

publicado por Ventania às 05:56
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Sexta-feira, 13 de Março de 2009

O Sorriso - Eugénio de Andrade

 

 

Creio que foi o sorriso, 

o sorriso foi quem abriu a porta. 
Era um sorriso com muita luz 
lá dentro, apetecia 
entrar nele, tirar a roupa, ficar 
nu dentro daquele sorriso. 
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
                 

 

 

I miss your smile...
I miss your light...

             I miss you...

 

 

sinto-me: wishing for
publicado por Ventania às 07:07
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Cristalizações - Eugénio de Andrade

1. 

Com palavras amo. 

2. 
Inclina-te como a rosa 
só quando o vento passe. 

3. 
Despe-te 
como o orvalho 
na concha da manhã. 

4. 
Ama 
como o rio sobe os últimos degraus 
ao encontro do seu leito. 

5. 
Como podemos florir 
ao peso de tanta luz? 

6. 
Estou de passagem: ama o efémero. 

7.
Onde espero morrer 
será amanhã ainda? 

publicado por Ventania às 17:29
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

ADEUS - Eugénio de Andrade

Um dos meus poemas favoritos de um dos meus autores favoritos, que hoje faço meu, porque meu poderia ser. Hoje regressei a um sítio que não visitava há longos meses e não chorei. Sorri. Terá sido ontem ou há mil vidas atrás?

 

ADEUS - Eugénio de Andrade

 

 

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, 

 

e o que nos ficou não chega 
para afastar o frio de quatro paredes. 
Gastámos tudo menos o silêncio. 
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, 
gastámos as mão à força de as apertarmos, 
gastámos o relógio e as pedras das esquinas 
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras 
e não encontro nada. 
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro! 
Era como se todas as coisas fossem minhas: 
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! 
e eu acreditava. 
Acreditava, 
porque ao teu lado 
todas as coisas eram possíveis. 
Mas isso era no tempo dos segredos, 
no tempo em que o teu corpo era um aquário, 
no tempo em que os meus olhos 
eram peixes verdes. 
Hoje são apenas os meus olhos. 
É pouco, mas é verdade, 
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras. 
Quando agora digo: meu amor..., 
já se não passa absolutamente nada. 
E no entanto, antes das palavras gastas, 
tenho a certeza 
de que todas as coisas estremeciam 
só de murmurar o teu nome 
no silêncio do meu coração. 
Não temos já nada para dar. 
Dentro de ti 
não há nada que me peça água. 
O passado é inútil como um trapo. 
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus

 

publicado por Ventania às 22:09
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